Charles Darwin

Boa parte dos esforços da ciência européia no século XIX foram destinados a tentar legitimar as profundas desigualdades das sociedades humanas. O chamado racismo científico apropriou-se de teorias e métodos academicamente legitimados para chegar, por exemplo, à falácias racionalmente fantasiosas, como aquela de que os brancos eram filhos de Adão, portanto, humanos verdadeiros e herdeiros do reino de Deus, enquanto negros e povos originários eram inferiorizados aos reinos dos chamados animais irracionais. Falácias nada inocentes que justificavam, por exemplo, as mais diversas explorações. Emblema máximo dos horrores cometidos em nome desta intolerância cientificamente embasada foi o movimento eugenista, iniciado na Inglaterra por Francis Galton -primo materno de Charles Darwin- sobre o qual falaremos mais por aqui. Aqui atentamos para que nosso dever, nesse sentido, é consistentemente lembrar que a ciência é um instrumento, e que a legitimidade deste instrumento pode ser usada para os mais diversos projetos políticos. Certamente é pela compreensão sóciohistórica que o questionamento de Darwin precisa ser pensado.

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